quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

05/10/2009 – Segunda-feira

Mais um tempo se passou. Bruna tivera que tomar algumas medicações para sua recuperação absoluta. O médico havia indicado um psicólogo, mas de começo existira resistência da parte de Bruna. Com o tempo, ela foi amadurecendo a idéia e acabou cedendo.
Bruna estava muito melhor depois de começar a freqüentar o psicólogo. Ela estava encarando os desafios da vida agora, ao invés de se entregar para qualquer pedra no caminho.
Segunda-feira, dia de aula. Não via a hora das férias chegar...
Chegando na escola:

- Bom dia Aninha, Biel, Flavinha! [eu]
- Bom dia! [responderam]
- Gente, fiquei sabendo que tem gente nova na sala! [Flavinha]
- Nossa! No final do ano? [eu]
- Estranho né? [Aninha]
- Vamos ver se vemos algum rosto diferente na sala... [Biel]

Fomos para sala e olhamos para ver se víamos a tal pessoa nova na sala. Avistamos uma menina de cabelo curto, liso, loiro, um tipo de magreza que se diria “gostosa”, olhos castanhos e parecia ser alta, não dava pra saber, porque estava sentada!

- Iiih Madú, essa tá pra você hein! Meu gaydar não apita, ele BERRA só de olhar pra menina! [Biel disse rindo]
-  Larga de ser bobo Biel! [respondi rindo]

A menina estava sentada perto de onde nosso grupinho sempre sentava. Nos aproximamos e cada um sentou em sua carteira.

- Oi! [puxei papo]
- Oi... [respondeu a menina]

Ela parecia um pouco tímida...

- Qual seu nome? [perguntou Biel]
- Diana, e o seu? [disse a menina]
- Gabriel, mas pode me chamar de Biel! [sorriu]

A menina sorriu para Biel e se calou novamente.
A aula começou e a menina só falava quando alguém perguntava algo.
Intervalo, nós saímos e sozinha a menina se distanciou até um canto do pátio com fones de ouvido.

- Vou lá falar com ela pra ver se ela enturma! [eu]
- Madú ataca novamente! [Biel ria]
- Besta kkkkkkkkk [eu]

Me afastei do meu grupo e me sentei ao lado da menina.

- Oi! [sorri]
-  Oi... [respondeu]
- O que ta escutando? [eu]
- Cassia Eller! [Diana]
- Nossa, adoro ela! [eu]
- Me amarro também! [Diana]
- Porque não senta lá com a gente?! [eu]
- Pode ser... [Diana]

A menina voltou comigo para a roda, mas não abandonara seus fones de ouvido e também permaneceu em silêncio. As vezes soltava umas risadinhas baixas de alguma besteira dita na roda...
A menina era bem quieta... timidez? Ou seria anti-social mesmo?
Bateu o sinal para voltarmos para sala... mais 3 aulas chatas, eu já estava cansada...
Na aula de história o professor havia passado trabalho, e ele mesmo havia separado os grupos... então ficou 4 no meu grupo, sendo eu, Aninha, Flavinha e a menina nova, Diana!
Indo embora, eu pergunto:

- Então meninas, quando vamos combinar de fazer o trabalho?! [eu]
- A gente tem que fazer ainda essa semana, porque já é pra semana que vem! [Flavinha]
- Podem ir lá em casa amanhã se quiserem, nem vai ter ninguém, ai não tem quem fique atrapalhando a gente! [Aninha]
- Por mim tudo bem, é até melhor, porque lá em casa sabe como está né Aninha, a Bruna nem ta indo estagiar por uns tempos... Ai ta em crise u.u [eu]
- Nossa, porque ela não volta pra casa da mãe dela?! Essa menina daqui a pouco vai arruinar a sua vida! [Aninha]
- Não, calma... Nem tanto também né Aninha! [eu]
- Assim espero! [Aninha]
- Mas tá... Amanhã na casa da Aninha? [Flavinha]
- Combinado! [eu]
- Tudo bem pra você Diana? [Aninha]
- Tudo sim... Mas não sei onde você mora! [Diana]
- Não tem problema, podemos combinar de ir direto da escola pra minha casa, ai almoçamos todas lá! [Aninha]
- Se não for incomodar... [Diana]
- Incomodo nenhum, minha casa, sua casa kkkkkk [Aninha disse brincando]
- Okay então! [Diana riu da brincadeira]
- Ow... e esses exercícios de matemática que a professora passou hoje... eu não entendi porra nenhuma! E é pra amanhã né?! D: [eu]
- Pior que hoje não tem como eu ir na sua casa te ajudar, tenho curso o dia todo! [Aninha]
- Nem me olha porque matemática não é comigo amiga! [Flavinha]
- Eu to ferrada... to precisando de nota pra matemática! [eu]
- Se quiser eu posso te ajudar Madú! [Diana]
- Mesmo? Nossa, você quebraria um galho meu viu... [eu]
- Numa boa... eu te ajudo! [Diana]
- Ah, então se quiser podemos ir pra casa, você almoça lá e resolvemos esses exercícios! [eu]
- Pode ser então... [Diana]

Fomos todas embora.
Eu e Diana passamos a tarde fazendo exercícios. Ela me explicara a matéria. Me deu a maior força!
Bruna viu eu e Diana estudando, deu uma pequena crise comigo. Quase mandei ela a merda, mas me contive!
Bruna estava ficando doente, e louca, não era possível!
Voltei para o escritório para terminar as coisas

- Sua irmã?! [Diana]
- Não... minha prima! [eu]
- Uhm... [Diana]
- Ela me tira do sério! [eu]
- Porque? [Diana]
- Bom... ela é minha ex. Ela tentou se matar, quando terminei com ela, agora ela ta tomando vários remédios e freqüentando psicóloga e tals! [eu]
- Entendi! E agora ela ta achando que eu sou mais uma pretendente sua e foi brigar com você? [Diana]
- É isso mesmo kkkk. Não posso trazer ninguém diferente aqui em casa que ela surta. Ela ta precisando de muita ajuda! E ela não quer voltar pra São Paulo! [eu]
- Caramba, que situação complicada pra você hein! Cuidado, o dia que você realmente tiver uma outra pretendente, ela vai pirar mesmo... Experiência própria! [Diana]
- Esse lance de namoro só dá dor de cabeça! [eu]
- É... mas quando a pessoa gosta, não consegue escapar dessa dor de cabeça! [Diana]
- Verdade! [eu]

Por volta de umas 19h Diana foi embora!
Não demorei muito a dormir, pois estava cansada!
Comi algo, tomei um banho e dormi...

13/09/2009 – Domingo

Acordei cedo, umas 9h! Fiquei deitada no colchão ao lado de Aninha pensando na vida. E porque que com a única menina que eu gostei realmente, não deu certo? Porque tive a infelicidade dela não me amar como eu amei? E porque não aprendi a gostar de quem realmente gosta de mim? 
Eu estava aprendendo o verdadeiro sentido da vida. Às vezes temos que aprender a gostar de alguém para dar certo... Se você não consegue um amor, invente-o!
Fiquei deitada pensando até umas 10h30, quando Aninha acordou!

- No que está pensando? [Aninha]
- Em nada... [eu]
- Como se eu não te conhecesse! [Aninha]
- Estou pensando que às vezes temos que aprender a gostar de quem realmente gosta da gente! [eu]
- Você está pensando em voltar com a Bruna? [Aninha]
- Não... Eu preciso ficar sozinha agora! [eu]

Realmente precisava ficar só! Talvez esse fosse o meu destino... Ficar só, sem ninguém, aprender com a ausência, não depender de amor nenhum para viver!
Porque quando as pessoas amam, começam a viver em função da pessoa? Parece que se esquece da vida e começa a viver a vida da pessoa amada. Porque uma pessoa apaixonada é tão tola? Tudo fica bem, mesmo se estiver péssimo, os olhos vagos, distraídos brilham e o sorriso é irradiante... 
Tolos! Amantes do amor, raça que deveria morrer. Os amantes só fazem os corações se partirem, sangrarem até que não sobre uma gota e que você morra por dentro, e seu corpo fique sem alma, somente o corpo, a casca, o externo... 
Tolice esse tal de amor! Mas fazer o que se nós somos todos tolos!
Por volta de 14h eu e Aninha fomos almoçar!
Logo depois do almoço meu celular toca:

- Alô? [eu]
- Madú, vou passar ai pra te buscar, Bruna já teve alta! [Renata]
- OK Re! E a história, funcionou? [eu]
- Funcionou sim! To passando ai daqui uns 20 minutos! [Renata]
- Vou estar esperando! [eu desliguei]
- Sua irmã?! [Aninha]
- Sim... Ela ta passando aqui pra irmos buscar a Bruna! [eu]
- Entendi! Me dê noticias depois ok?! [Aninha]
- Pode deixar! [eu]

Alguns minutos depois Renata chegou,e então fomos a caminho do hospital.

- Por favor, a paciente Bruna Maciel?! [Renata]
- Pois não... Ela já está aguardando. [enfermeira]

Fomos ao quarto em que Bruna estava.

- Vamos embora? Não agüento mais ficar aqui! [Bruna]

12/09/2009 – Sábado

Um tempo se passou. O lance da Aninha acabou parando por conta da minha consciência com a Bruna. Mas naquela tarde...
Era por volta da 13h e eu acordei. Iria terminar com Bruna, já estava decidida! Me levantei, fui ao banheiro, tomei um banho, me arrumei e desci.

- Boa tarde dorminhoca! [Bruna]
- Oi... Cadê o povo dessa casa? [eu]
- Nana foi no mercado com sua irmã e seu pai saiu de carro! [Bruna]
- Estamos sozinhas? [eu]
- Sim! [Bruna]
- Melhor... Preciso falar com você! [eu]
- Fale! [Bruna]
- Bruna, gosto muito de você. Você é uma pessoa incrível, mas eu não te mereço e também estou precisando de um tempo pra mim. Estou me sentindo muito pressionada com esse relacionamento! [conclui]
- Você está terminando comigo Madú? [Bruna]
- Me desculpe Bruna, mas vai ser melhor pra nós duas! [eu]
- Madú, eu te amo! Não faz isso comigo, por favor! [Bruna]
- Bruna, o que nós vivemos foi ótimo, muito bom... Mas não posso continuar com isso, justamente por você dizer que me ama e eu não poder te dizer o mesmo, entende? [eu]
- Eu não me importo se você não me ama, mas eu preciso de você comigo Madú! [Bruna]
- Me desculpe Bruna, não dá mais! [eu]

Bruna, inconformada com o término, subiu as escadas chorando. Resolvi deixá-la só. Seria melhor. Fiquei na sala assistindo TV.
Por volta das 14h, Nana e Renata voltaram do mercado.

- Logo vou servir o almoço. [disse Nana]
- Cadê a Bruna? [perguntou Renata]
- Está no quarto dela, eu acho! [eu]
- Vocês brigaram? [Renata perguntava subindo as escadas]
- Mais ou menos... [eu]

Enquanto Nana arrumava a mesa e eu via TV, Renata subira para chamar Bruna para almoçar. No instante seguinte escuto minha irmã gritar.

- MAAAAAADUUUU! [Renata]

O grito de Renata fora de desespero. Subi as escadas correndo e me dirigi ao quarto de Bruna. Chegando na porta, avistei o corpo de Bruna estendido no chão, e logo ao lado uma garrafa de vodck que ela escondera em seu quarto, e mais uns 3 vidros de alguns comprimidos espalhados no chão. Fiquei estagnada por um instante. Não sabia o que fazer e muito menos no que pensar, eu só conseguia ficar parada olhando-a ao chão. Aquilo era culpa minha! E se algo acontecesse com Bruna, jamais me perdoaria.
- MADU! Chame a ambulância, rápido! [Renata]
Obedeci então. Corri até o telefone e liguei para emergência. Instantes depois a ambulância chegara para levar Bruna. Fui para o hospital junto com a ambulância.
Chegando lá, fiquei na sala de espera junto com minha irmã que tinha ido de carro para o hospital. Eu estava totalmente aflita. Era culpa minha aquilo ter acontecido. E porque Bruna tentara se matar? Ela era louca? É... talvez louca por mim!
Meu celular toca:
- Amiga, onde você está? [Aninha]
- No hospital Ana! [minha voz era tremula]
- Como assim? O que houve? [Aninha estava preocupada]
Contei-lhe desde o começo...
- Madú, fica calma que eu estou indo ai! [Aninha desligou]
Uns 20 minutos depois, Aninha chegara. Eu só conseguia abraçá-la e chorar.
- Calma Madú, eu to aqui! [Aninha]
- É culpa minha Ana... [eu dizia aos prantos]
- Madú, não é culpa sua, fique calma, vai ficar tudo bem! [Aninha]
Depois de muito tempo de espera, o médico veio nos falar.
- Algum responsável por Bruna Maciel? [médico]
- Eu doutor! [Renata]
- Pois bem... Bruna se encontra em repouso agora. Nós fizemos uma lavagem estomacal nela. E digo que por pouco mais de demora, o quadro seria bem complicado. Mas correu tudo bem. Ela está ótima. [médico]
- Doutor, posso entrar pra vê-la? [eu]
- Sim, mas não demore, ela precisa descansar. E se tiver uma boa recuperação, amanhã mesmo tem alta! [médico

Entrei no quarto e ela estava acordada, então perguntei:

- Posso entrar? [eu]
- Pode... [ela disse com uma cara de arrependimento]

Entrei e me sentei numa cadeira ao lado da cama. Segurei-lhe a mão.

- Porque fez isso? Quer me matar do coração? [eu]
- Agora você se importa? [Bruna]
- Eu sempre me importei! [eu]
- Se eu não podia te ter, pra que continuar sem a menina que eu amo?! [Bruna]
- Não seja tola Bruna! Tirar a própria vida? Acha mesmo que essa seria a solução? Não pense assim... [eu]

Bruna ficou um instante em silêncio...

- Me desculpe?! [Bruna]
- Me prometa que nunca mais vai fazer isso, ou algo parecido com isso, ou qualquer merda do tipo Bruna! [eu]
- Prometo! [bruna]

Um novo silêncio...

- Madú... [Bruna]
- Oi? [eu]
- Eu te amo! [Bruna]
- Com licença... A visita acabou. A paciente precisa descansar bem para que receba alta amanhã! [o médico chegou interrompendo a conversa]
- Cuide-se... Amanhã venho te buscar! [sai do quarto então]

Voltei para a sala de espera planejando como meu pai não iria sabe do ocorrido. Eu queria evitar interrogatório...

- Renata, preste atenção! Papai não pode saber disso. Então quando chegar em casa, diga para Nana não comentar nada com papai. Eu vou dormir na casa da Aninha, e para todos os casos, a Bruna está comigo lá! Certo?! [eu]
- Tudo bem... Já estava pensando em algo por causa do papai! [Renata]
- Então pronto, é isso... E NADA aconteceu... [eu]
- OK! [Renata]
- Certo Aninha?! [eu]
- Sem problemas... [Aninha]

Renata nos deixou na casa de Aninha e foi embora.
Hospital é um ambiente que cansa e eu havia passado a tarde inteira e um pouco da noite lá!

- Quer comer algo Madú? [Aninha]
- Estou sem fome Aninha, obrigada. A única coisa que eu quero é um banho e uma cama, estou exausta! [eu]

E foi assim. Tomei um banho e me deitei.
Era por volta de umas 22h e eu já estava dormindo.
Dia PUNK... Muito, muuuuuito PUNK!