sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

19/08/2009 – Quarta-feira

Os dias foram passando, e o clima entre eu e Aninha ainda estava estranho. Eu andava bem distraída, porque aquilo de Aninha se afastar me doía.
Estávamos perto da semana de prova, e como de costume estudávamos eu, Flavinha, Aninha e Biel.
Já na escola

- Vamos estudar onde hoje? [Flavinha]
- Eu não vou poder estudar com vocês hoje meninas, tenho compromisso! [Biel]
- Pode ser na minha casa... [Aninha]
- Que horas? [eu]
- Pode ser as 16h, assim não tem ninguém em casa e podemos estudar melhor! [Aninha]
- Combinado então! [Flavinha]

Fui para casa, almocei, tomei um banho e me deitei um pouco. Mas resolvi ir mais cedo pra casa de Aninha pra conversar com ela. Então quando foi por perto das 15h eu fui pra casa dela.
Chegando, apertei a campainha. Aninha veio e atendeu...

- Oi Madú, chegou cedo! [Aninha disse meio assustada]
- Se quiser eu volto as 16h. [respondi]
- Não... entra! [Aninha]
- Vim mais cedo porque queria conversar com você! [eu]
- Vamos lá pro quarto, minha mãe ainda não saiu de casa. [Aninha]

Seguimos para o quarto dela para conversarmos.

- Então, o que quer conversar?! [Aninha disse sentando na cama]
- Porque você finge que nada está acontecendo? [perguntei me sentando ao lado dela]
- Não estou entendendo Madú. [Aninha]
-Aninha, pára com isso! Você sabe que desde as férias estamos mais afastadas... Você não me conta mais nada, me evita... Eu te fiz alguma coisa? Falei alguma coisa? Se for isso me diga, porque eu não sei... [eu]
- As coisas mudaram muito Madú... [Aninha]
- Agora quem não está entendendo sou eu! [eu]
- Nada Madú... Deixa essa história pra lá! [Aninha]

Aninha disse se levantando da cama e indo para a mesinha do computador para ligá-lo. Me levantei e me aproximei da mesinha.

- Desliga isso, eu estou conversando com você! [impedi que ela ligasse o PC]
- Madú... [bruscamente ela se levantou e ficou cara a cara comigo]

Fiquei olhando pra ela, meio assustada, pois não esperava uma reação daquelas. Aninha me olhava como quem quisesse falar algo, mas tinha medo. Sua respiração era meio ofegante, eu podia sentir por nossos rostos estarem tão próximos. Naquele momento meu coração disparou.

- O que foi Aninha? [disse depois de um silêncio interminável]
- Nada... [ela disse se afastando]
- Meu... nós sempre fomos bem sinceras uma com a outra, sempre falamos quando algo nos incomodava, mas agora não... você simplesmente me evita! [eu]
- Você quer sinceridade Madú?! [Aninha]
- Eu pensei que era pra ser sempre assim... rs [eu]

Aninha ficou um tempo calada, mas em um instante ela se aproximou de mim, colando seu corpo no meu e deixando seu rosto bem perto, o olhar dela era intenso em meus olhos. Eu estava feito estátua, tremendo por dentro. Em um súbito Aninha selou seus lábios nos meus e logo se afastou, indo em direção a porta, como quem quisesse sair do quarto. Eu fiquei imóvel, eu estava processando aquele ato. Aninha saiu do quarto e eu não consegui chamá-la para não sair, pois estava em choque.
Aninha não voltava para o quarto, então resolvi ir atrás dela. No caminho pude perceber que já estávamos a sós em sua casa.
Passei pela sala, mas nada dela, então me dirigi a cozinha. Lá estava sentada à mesa com um copo d’água do lado e cabisbaixa.

- Aninha?! [eu]

Ela não me respondia

- Aninha, o que foi aquilo? [perguntei]
- Não me faça perguntas que nem eu sei responder, por favor! [Aninha respondeu ainda cabisbaixa]
- Aninha, mas... como assim? Eu estou confusa! [eu respondi]
- Se você está confusa, imagine eu! [Aninha respondeu olhando para mim]

Me aproximei dela, e então ela saiu da cadeira e começou a se dirigir para a sala. Eu a impedi, segurei em seu braço puxando-a de volta. Mas acho que não controlei a minha força e ela ficou bem próxima de mim.

- Espera! [disse no mesmo instante em que a puxei]

Mais um instante de silêncio. Aninha sempre me olhava nos olhos, e aquilo me arrepiava. Tive uma imensa vontade de beijá-la naquele momento, mas me contive. Nós duas não falamos nada, somente ficamos nos olhando. Então a campainha toca, Aninha se desvencilha de minha mão que a prendia e segue para atender a porta.
Enquanto ela atendia a porta, eu respirava fundo e me continha. Logo após segui para a sala, Flavinha tinha chego.

- Madú? Já ta aqui menina... [Flavinha]
- Vim mais cedo, queria conversar com a Aninha! [eu]
- Ai, vocês duas já se acertaram né?! Por favor, ninguém merece ver vocês duas do jeito que estão! [Flavinha]
- É... acho que estamos começando a nos entender! [eu]
- Nem tanto! [Aninha resmungou de um modo que ninguém ouvira]
- O que?! [Flavinha]
- Ahn? Não... nada! Vamos estudar né gente?! [Aninha]

Seguimos para o quarto de Aninha e começamos a estudar. Por volta de umas 19h Bruna me liga.

- Alô? [eu]
- Oi amor! [Bruna]
- Oi... [eu]
- Onde você está? [Bruna]
- Estou na casa da Aninha, estudando, porque? [eu]
- Ahn... queria saber! É que a casa está vazia, pensei que podíamos aproveitar um pouquinho! [Bruna]
- Já estou indo embora, chego em uns 20 minutos ok?! [eu]
- Ok amor, to te esperando então! [Bruna desligou]
- Gente, tenho que ir... Amanhã nos falamos na escola! [eu]

Me despedi das meninas e fui embora.
Cheguei em casa, mas Bruna não estava na sala, fui até a cozinha e nada. Subi as escadas e fui até o quarto dela, nada. Fui para meu quarto, entrei, e quando entrei a porta se fechou. Me virei para ver, Bruna estava lá!

- Surpresa! [Bruna]

Bruna vestia somente uma calcinha e um sutiã vermelhos. Ela veio em minha direção e começou a me beijar. Levei minhas mãos em sua cintura, apertando-a levemente. Bruna foi me levando até a cama e me jogando na mesma. Ela me olhava e sorria. Voltou a me beijar, eu a beijava somente. Bruna então parou e olhou para mim

- Algum problema? [Bruna]
- Não, porque? [eu]
- Porque parece que só eu estou beijando aqui! [Bruna]
- Ah Bruna, desculpa, não estou legal! [disse tirando Bruna de cima de mim]
- É... to percebendo! Alias você não está legal faz uns dias! [Bruna estava se irritando]
- Pois é... Acontece! [eu]
- É, e eu aqui tentando fazer você esquecer disso que tanto te atormenta e não me fala, mas pelo jeito nada funciona! [Bruna disse levantando da cama e indo em direção a porta]

Eu fiquei quieta, não disse nada, nem a impedi

- Não vai falar nada Maria Eduarda? [Bruna]
- Não tenho o que falar! [eu]

Bruna fechou a porta do quarto com tudo e foi para o seu.
Eu não estava no clima, a tarde na casa da Aninha não saia da minha cabeça. Eu realmente não esperava por nada daquilo.
Me toquei e resolvi deitar de uma vez. Mas nada de consegui dormir.
Por volta de umas 22h30 meu celular toca

- Alô? [eu]
- Estava dormindo? [Aninha]
- Não... não estou conseguindo dormir! [eu]
- É, eu também não! [Aninha]
- Porque? [eu]
- Não sei... e você? [Aninha]
- É, também não sei rs... [eu]

Um silêncio apareceu

- Madú... [Aninha]
- Oi? [eu]
- Vem aqui em casa? [Aninha]
- Agora? [me espantei]
- É! [Aninha]
- Mas Aninha, aqui em casa deve ta todo mundo dormindo já, e na sua também! [eu]
- Tranca seu quarto e sai pela janela, quantas vezes não fez isso rs?! E quando chegar aqui em casa me liga que eu abro a porta dos fundos pra você! [Aninha]
- Tá, estou indo! [desliguei]

Coloquei um agasalho, tranquei a porta do meu quarto e sai pela janela. No caminho eu me perguntava “porque ela quer que eu vá lá?”, e logo outra me surgia “porque eu estou indo?”. Nem eu entendia...
Cheguei em frente a casa dela e liguei

- Já estou aqui! [eu]
- To abrindo a porta [Aninha desligou]

A porta dos fundos dava para a área da churrasqueira, que por sinal era muito escura, e não havia nenhuma luz acesa justamente para não acordar ninguém da casa.
Aninha abriu a porta dos fundos, eu entrei e fiquei do lado esperando ela fechar a porta. Aninha fechou e logo em seguida me encostou na parede, me pegando (literalmente) de surpresa. Aninha tinha um beijo delicado, suave, gostoso. Ela me soltou, virou as costas e começou a andar como se nada tivesse acontecido ali. Eu, como antes, tinha ficado parada, em estado de choque. Antes de Aninha entrar ela disse

- Vai ficar ai fora parada mesmo ou vai entrar? [Aninha]

Olhei pra cara da Aninha e dei uma risada de como quem não estava entendendo nada. Então entrei. Fomos para seu quarto, ela se sentou na cama e eu fiquei em pé olhando-a, tentando entender alguma coisa.

- Senta Madú, eu não mordo rs [Aninha]
- Ultimamente eu não sei rs [brinquei – sentando-me ao lado dela na cama]
- Não perde o humor nunca não é mesmo?! [Aninha]
- Meu jeito, sabe como é! [eu]
- Sei bem... [Aninha se calou e ficou me olhando]

Eu não sabia se ficava envergonhada por ela me olhar, não sabia se roubava um beijo dela como ela havia feito comigo, eu não sabia se ficava olhando-a como ela estava, simplesmente eu não sabia o que fazer. Parecia uma criança que não se sabe das coisas.

- Eu ainda quero entender isso tudo! [eu]
- Têm certas coisas que não é pra se entender Madú... Você gosta de explicações demais! [Aninha]
- É que... [ela me interrompeu]
- É que nada! Esquece um pouco das perguntas, as perguntas assustam às vezes! [Aninha]
- Desculpa! [eu]
- Você parece uma criança com medo de escuro [ela ria]
- E você é o escuro né?! [completei]
- Está com medo de mim? [Aninha perguntou]
- Não... Quer dizer, não sei... É novo, eu estou assustada! [eu]
- Você já foi mais corajosa! [Aninha]
- Não Aninha, é que meu... Quantos anos de amizade nós temos? Nunca imaginei algo assim. E outra você ama o Gu, pelo menos eu acho! [eu]
- Talvez por te conhecer tão bem isso tenha acontecido, sei lá. O Gu... É, eu o amo sim! Mas você é algo carnal, vontade do novo sabe?! [Aninha]
- E por eu ser sua amiga, se sentiu mais segura?! [eu]
- É... Pode ser! [Aninha]

Ficamos ali, conversando, às vezes nos beijando, por horas! De repente Aninha me pergunta

- E você? [Aninha]
- Eu o que? [eu]
- Ama a Bruna? [Aninha]

Fiquei em silêncio por um momento

- Amor... Acho que é muito forte pra se dizer! [eu]
- Ama ou não ama?! [Aninha insistiu]
- Não... Não amo! [respondi] Mas porque a pergunta? [eu]
- Curiosidade! [Aninha]
- Uhm... Entendi! [eu] Nossa, olha a hora! Tenho que ir porque já já acordamos pra ir pra escola! [disse assustada]

Eram quase 5h da manhã. Me levantei. Aninha me acompanhou até a porta dos fundos. E antes que eu saísse ela me deu mais um beijo.

- Tchau, até daqui a pouco! [Aninha]
- Até rs... [eu]

Já estava na calçada, quando escuto um “psiu”. Olhei para trás

- Adorei a companhia! [Aninha]
- Eu também... [respondi soltando uma risadinha]

Um comentário:

  1. Muuuuito bom! Adoooreeeiii Kakauu =)
    Vou esperar pelos próximos posts!

    beeeijos*

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